Você resgatou o bichinho, deu todos os cuidados, e agora ele está pronto para ir para um lar definitivo. Ufa! Quer dizer… muita calma nessa hora!

Depois de todo o trabalho, o que nós mais queremos é encontrar um lar cheio de amor, cuidados e segurança para nosso amiguinho, não é? Por isso é tão importante a entrevista - e, também, o acompanhamento pós-adoção. É na entrevista que você vai conhecer um pouco mais sobre o(s) interessado(s) em adotar o cão/gato que você tirou da rua, saber sobre os motivos da adoção, sobre o ambiente no qual o bichinho vai morar e sobre experiências prévias que eles possam já ter tido com outros animais.

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Essa entrevista é para ter uma ideia de como seu animal será tratado. Ela pode ser feita por telefone, mensagens, e-mail, presencialmente ou como você achar melhor. E não tenha medo: se sentir que o interessado não é a pessoa certa para seu resgatado, agradeça o interesse, mas recuse! O que importa, no fim, é que o animal vá para um bom lar, para não voltar a sofrer nas ruas depois.

Após a seleção, quando for entregar o animal para seu novo lar, leve dois termos de adoção para que o novo tutor e você assinem – uma cópia fica com ele, a outra com você. Você pode levar, também, um papel com informações sobre a guarda responsável para o adotante. Indicamos que você conheça a nova casa em que o animal irá viver, para se certificar de que ele terá um ambiente adequado.

Claro que, mesmo entrevistando, às vezes nós nos enganamos ou a adaptação no novo lar não dá certo. Acontece, mas você não pode desanimar! Você vai encontrar o adotante certo para o seu resgatado! Confira abaixo algumas perguntas - e o que você está buscando saber por trás delas - para se guiar nas futuras entrevistas.

Qual a sua idade?

Aqui, você precisa saber se o interessado na adoção já é maior de idade, de forma a ser responsabilizado pelo animal que deseja adotar. Caso seja menor de idade, procure falar diretamente (ou também) com o responsável.

Qual o motivo de querer adotar um animal?

Com essa resposta você pode sentir um pouco melhor da relação/visão que o interessado tem dos animais. Por exemplo, uma pessoa que deseje adotar um animal para vigiar a empresa/acabar com os ratos dela provavelmente terá uma relação mais objetificante com o adotado, usando-o como uma ferramenta. Claro, não necessariamente o animal será maltratado no sentido mais comum da palavra, mas talvez falte interação/carinho/convivência para o seu resgatado. Você deve avaliar o caso e buscar mais informações.

Mora sozinho, ou com mais pessoas? Todos os moradores da casa estão de acordo com a adoção?

Esteja certo de que todos da casa estão de acordo com a adoção, para que não entrem em conflito e, no final, sobre para o animal.

Está disposto a assinar o termo de adoção?

O termo de adoção é uma parte importante desse processo. Nele estão diretrizes básicas de cuidado com o animal e o adotante deve ler com calma, completar o documento com seus próprios dados (endereço, telefone e e-mail de contato, nome completo e documentos) e assinar. Assim podemos ter um pouco mais de suporte caso a adoção não dê certo ou haja problemas com o adotante, no futuro.

Quantas pessoas moram com você? Tem crianças ou idosos? Qual a idade? Quantos adultos? Todos trabalham?

Aqui a ideia é saber quem terá contato direto com o animal. Se houverem crianças pequenas na casa, converse com o adotante para que ele supervisione a interação entre animal e criança, de forma a evitar acidentes para ambos. Em caso de crianças um pouco maiores, é importante conscientizá-las da necessidade de se respeitar o espaço do animal, ser carinhosa e tomar cuidado na hora de manuseá-lo (tanto para não machucá-lo quanto para que o animal não se irrite e morda/arranhe).
No caso de idosos, é preciso tomar cuidado com animais muito agitados (principalmente cães, por serem normalmente mais pesados e fortes), para que não derrubem o idoso e causem acidentes. A pergunta sobre quantos são os adultos que trabalham na casa é para você ter uma ideia da condição financeira para manter um animal - afinal, há custos com alimentação adequada, vermífugos, vacinas, banhos, desparasitação, etc.

Você mora em casa ou apartamento? O apartamento é telado / a casa é cercada com cercas e/ou muros resistentes? Há risco de fuga? É casa própria ou alugada?

Se a casa não for segura para o animal, ele pode fugir - ainda mais no período de adaptação ao novo lar. Peça ao adotante para que providencie o telamento/cercamento do ambiente antes da adoção. A pergunta sobre a casa ser própria ou alugada é para que o adotante pense sobre o que faria com o adotado em caso de necessidade de mudar de moradia. Mas haverá uma outra pergunta específica sobre isso mais abaixo, também.

É a primeira vez que vai adotar um animal?

Se for a primeira vez, procure informar o interessado sobre cuidados básicos e sobre a importância de se ter paciência com o novo animal no período de adaptação.

Há outros animais na casa? Como é o comportamento deles com novos animais?

É sempre bom tomar cuidado na apresentação de um novo animal aos antigos da casa. Nem sempre os bichinhos vão se dar bem de cara, e em alguns casos pode ser indicado o acompanhamento de um profissional (adestrador) para que tudo corra bem.

Já teve outros animais anteriormente? Ainda são vivos? Se não, qual o motivo do falecimento?

Aqui você deve ficar atento para duas coisas: a primeira é que, caso o interessado nunca tenha tido outros animais na vida, é importante dar-lhe informações básicas de cuidado e adaptação com o adotado.
O segundo ponto é saber sobre os animais que ele já teve (caso já tenham falecido). Se o interessado na adoção já teve outros animais que morreram atropelados, envenenados ou por doenças evitáveis com vacinação (por exemplo, raiva, cinomose e parvovirose - para cães -, raiva e FeLV - para gatos), é sinal de que o ambiente pode não ser seguro para o adotado, ou que o adotante não sabe dos cuidados básicos ou não se empenha muito neles.

Você está ciente dos gastos de se manter um animal?

Essa pergunta é mais para informar ao adotante dos gastos mais comuns para a manutenção do adotado e verificar se ele está disposto e tem condição de ter esses gastos. Informe que necessário providenciar ração adequada e de boa qualidade, levar ao veterinário sempre que necessário (e ao menos uma vez ao ano para a revacinação), mantê-lo livre de parasitas, mantê-lo vermifugado, dar banho, providenciar abrigo de sol, vento, chuva, discipliná-lo, exercitá-lo etc (inclua aqui informações personalizadas sobre o animal, caso ele necessite de alguma medicação específica, por exemplo).

Onde o animal dormirá? Ele ficará sozinho em casa durante todo o dia?

Há muitas pessoas que não gostam de deixar que o animal durma dentro de casa, por vários motivos. Cabe, aqui, você tentar perceber se o animal ficará devidamente abrigado de frio, calor, chuva, vento e sol excessivos, e se terá um local calmo, seguro e confortável para dormir.
Caso o animal fique sozinho em casa durante a maior parte do dia, é importante explicar que a falta de estímulos (brinquedos, espaço, exercícios, outros animais ou pessoas para interagir, etc) pode deixar um animal extremamente frustrado e acarretar sérios problemas comportamentais - seja latir/miar excessivamente enquanto não há ninguém em casa, incomodando os vizinhos; destruir móveis e objetos da casa/jardim; fazer as necessidades em locais não adequados; desenvolver agressividade etc.

O que faria caso precisasse mudar de casa/apartamento/cidade?

Apesar de que dificilmente alguém vá falar abertamente que, nesse caso, optaria por abandonar o animal na rua, não custa dar uma sondada para ver as possibilidades que o interessado ache adequadas. O importante é que ele entenda que o animal é um ser vivo com sentimentos e necessidades, que a adoção é uma decisão séria, e que devem ser levados em conta todos os problemas e imprevistos possíveis e a forma de contorná-los para que o animal não sofra com mais um abandono ou uma nova adaptação a outro lar, após ter se acostumado com a família.

Imagina alguma situação em que pensaria em devolver o animal ou colocá-lo para adoção?

Essa é uma pergunta complementar à de cima. Procure ver se o interessado tem em mente a importância do ato de adoção, o comprometimento que ele deve ter com o adotado e o carinho/cuidado demonstrados com as respostas.

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| Photo by Savs / Unsplash

Pode acontecer de algumas pessoas se sentirem ofendidas ou invadidas com essas entrevistas, mas você deve ter em mente e tentar explicar ao entrevistado que todas essas informações são para analisar e garantir o futuro bem-estar do seu resgatado. Analisando todas as respostas com calma, tirando todas as dúvidas dos interessados na adoção e conversando bem com todos você estará minimizando, ao máximo, as chances de o animal voltar para a adoção (ou ir parar nas ruas sem que você saiba).

E você, já passou por uma entrevista ou entrevistou interessados em adotar seu resgatado? Tem mais dicas ou sugestões? Conte pra gente!